E chegou a hora de falar de SUPERMAN (Download Aqui), um dos álbuns mais esperados pela nação jotapopeira, afinal ele seria o primeiro álbum de inéditas da banda com um selo de uma grande gravadora por trás. O disco apresentou anteriormente os singles “Aladdin“, “Kamehameha Daio” e o mais recente “Ikkyu-san“, todos tiveram sonoridades distintas e que trouxeram algo de novo para o público, então seria mais que óbvio que o disco também fosse uma enxurrada de novidades, então vamos analisar de perto esse frescor:

O álbum começa de maneira esplendida com “Aladdin” que vai mesclar elementos do mediterrâneo com o systhwave, mais especificamente atrelando-se aos elementos sonoros de “Thriller” do Michael Jackson e conseguindo criar uma faixa com versos que saem do padrão de uma construção de uma música o que só deixa ela mais interessante. A atmosfera fica mais branda e um tanto fantasiosa em “Sakamoto Ryoma“, o som soa mais experimental que sua abertura, mas também mantém a sequência de nuances distintas e que enriquecem a música.

Ikkyu-san” é a melhor faixa para apresentar Campanella para uma pessoa mais acostumada a canções mainstream, ela é possivelmente a mais fraca do SUPERMAN? Sim, mas ela é a mais comercial, ela apresenta versos instigantes uma ponte para o refrão que desacelera e vai crescendo até chegar em seu ápice explosivo e que consegue deixar o ouvinte totalmente seduzido. A questão é que “Ikkyu-san” é uma faixa padrão com versos que você sabe o que vai acontecer, totalmente diferente do teor criativo que Campanella apresenta criando aí provavelmente um desconforto para (alguns) fãs. Após essa aventura sem surpresas vem “Onyankopon” tem um uma introdução que parece ser algo mais urbano que vai te transportando para mais eletrônico de fato, mas tudo é feito de uma maneira bem sutil até que os sintetizadores e batidas ganhem força e criam a pirotecnia em um solo eletrizante. “Onyankopon” é um Deus criador segundo a mitologia africana, o que dá uma sensação de vazio nessa faixa ainda sabendo que quem recebe tais elementos dessa cultura é a sua sucessora. “Genghis Khan” começa com uma cantiga de uma tribo africana e vai te guiar até um tropical house que realmente combina perfeitamente com a proposta da canção, mantendo o clima ensolarado da música e até mesmo seu ar ritualístico. Tambores e instrumentos de percussão preenchem a introdução de “Charlie Chaplin” o que faz com que o disco continue em uma sequência de atmosferas. Os raps que preenchem a música dão um ar mais sombrio e intenso para a faixa, mas tem um versos (que podemos chamar de refrão) que soa mais experimental que “Genghis Khan” e os vocais são mais sussurrados e adocicados aqui. Outra faixa que tem um alto teor radiofônico é “Audrey“, ela não soa tão cheia de surpresas em seus versos cantados, porém a forma como seus sintetizadores se desenvolvem em vários elementos cria um som mais distinto, não apostando em apenas uma sonoridade. Mesmo que exista uma sonoridade mais marcante, há outros momentos o que faz com que a música não soe tão óbvia quanto “Ikkyu-san“.

A ideia de produzir um tropical house para “Kamehameha Daio“, além de trazer elementos mais indígenas, faz com que a música realmente consiga criar uma atmosfera havaiana, o que combina perfeitamente com a menção a um dos reis do hawaii feito no título da música. A música trás Campanella mais criativo de volta ao seu eixo, sem perder o teor mainstream, afinal é uma faixa que apresenta um refrão consistente e elementos como ponte e até mesmo middle-8, o que surpreende mais uma vez é como toda a parte eletrônica flui na música. “Zeami” é uma faixa despretensiosa em seu começo, ela soa bastante delicada e mágica, até que as batidas vão crescendo junto a uma invasão de elementos da música tradicional japonesa e logo em seguida vem os sintetizadores, e então é apresentado o refrão que vai mesclar tudo que foi apresentado ao decorrer dos versos anteriores criando um momento vibrante e intenso. A referência usada em “Zeami” é ao maior dramaturgo e teórico teatral japonês, Zeami Motokiyo. O disco fecha com “Amanouzume” (deusa da alegria e do amanhecer) do xintoísmo, a faixa é boa, porém parece que toda a criatividade de se usar de instrumentos e arranjo tradicionais foi gasta em “Zeami” e aqui não há essa preocupação o que faz com que a faixa perca seu brilho, mas ainda sim soa agradável e fecha bem o álbum.

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SUPERMAN é consistente em apresentar figuras históricas importantes seja de forma política, artística ou até mesmo religiosa, mantém a banda em uma diretriz bastante inovadora e coesa. Sua sonoridade vai flertar com diversos elementos eletrônicos que soam como viagens a um mundo fantástico e alucinante, e como eles mesclam outros sons a isso é que dá toda graça do álbum, uma vez que as faixas surpreendem e trazem novidades. O defeito do disco fica por conta do seu encerramento em não surpreender tanto e também por “Onyankopon” não apresentar elementos africanos, sendo uma faixa que faz a menção a uma divindade do continente, ainda mais que as suas duas sucessoras exploram essa sonoridade, dando uma sensação de continuação, mas ao mesmo tempo de vazio para a faixa em que esse tema deveria ser abordado. No mais, SUPERMAN é o melhor disco de música eletrônica apresentado no Japão desde FEEL da Namie Amuro e bem possível aí que seja um dos destaques do ano por sua sonoridade ousada. Ponto para as faixa inéditas que surpreendem.

superman201. Aladdin 100/100
02. Sakamoto Ryoma 88/100
03. Ikkyu-san 80/100
04. Onyankopon 85/100
05. Genghis Khan 90/100
06. Charlie Chaplin 87/100
07. Audrey 100/100
08. Kamehameha Daio 82/100
09. Zeami 95/100
10. Amanouzume 78/100
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10 comentários em “ALBUM REVIEW: Suiyoubi no Campanella – SUPERMAN

  1. Como assim Amanouzume foi uma das que eu mais curti com aquele violino, e Kamehameha Daio é provavelmente uma das músicas mais divertidas que eu já ouvi na vida (diversão que quadruplica com o acompanhamento do MV) é uma das minhas preferidas deles, Alladin foi pra mim uma das melhores coisas do ano passado é divertidissima e despretensiosa provavelmente a melhor música do Suiyoubi na minha humilde opinião, curti muito Audrey o crescente é muito bom e KOM_I rasgou vocais no final da faixa ❤, e até Ikyuusan que na primeira ouvida eu achei bem diferentes do som deles, mas aprendi a amar a faixa e não paro de ouvi-la.
    No demais o álbum é fantástico todas as faixas tem seus diferenciais e se destacam por si só.
    O que me incomodou foi a falta de Matsuo Basho, acho que ela combinaria bem no album, mas ficou só no Superkid mesmo.😢

    Aguardando um MV fodelastico para Audrey

    Álbum INCRIVEL feiz jus ao meu depósito de esperança…
    #somostodoschupacabras

    Curtido por 1 pessoa

  2. Gente, eu gostei de tudo e praticamente não consegui ver defeito nesse álbum, eu achei que ia abusar a voz da KOM_I ao ouvir o álbum todo, já o timbre de voz dela não me agradou no começo, mas o álbum é ótimo, a minha favorita é “Kamehameha Daio” (me desculpe Aladdin), tá tudo ótimo ai, já é o melhor álbum que eu ouvi nos grandiosos dois meses de 2017…e não vejo perspectiva dele ser superado (mentira Versailles vai lançar álbum e o biasedismo vai falar mais alto como sempre).

    Comprem no sporyfi ou sei lá onde vende mais ❤ !!!!!!!!!!!!!!!!!1

    Curtido por 1 pessoa

  3. Estou viciada nesse album. Alias eu nao conhecia Suiyoubi no Campanella ateh umas semanas atras quando vi um post aqui e fui conferir e adorei. Eu achei o album maravilhoso do comeco ao fim e nao consigo parar de ouvir por inteiro.

    Curtido por 1 pessoa

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