Continuando o especial de 25 anos de carreira da Namie Amuro vamos saltar quatro anos no tempo e conferir o aclamado álbum por seus fãs internacional: FEEL (download aqui). O disco teve apenas um single físico “Big Boys Cry / Beautiful” e o single digital “Contrail“, que já adianto que ambas as faixas estão entre as mais frágeis do disco, então a expectativa para quem acompanhou a era, foi bem baixa o que realmente foi uma grande surpresas suas faixas inéditas soaram tão boas e inovadoras. Então sem mais delongas vamos conferir a deliciosa aventura de Namie Amuro pelo EDM:

Alive” é a melhor faixa inicial em um álbum e mais impactante superando até mesmo “The Queen Of Hip-Pop“, seu início quase que acapela vai fazendo com que as batidas cresçam até se mesclar aos sintetizadores que darão um ar mais sombrio além da própria interpretação da cantora. Destaque também para a guitarra usada antes do último refrão, dando mais frescor para a música. E é assim que o FEEL começa, coeso e sombrio exatamente o que esperava após ver sua arte, mas tudo isso é jogado fora em “Rainbow” que tem uma produção mais gamer, a forma como ela é produzida é bem agradável e a alteração em seus sintetizadores no último refrão foram bem interessantes. Em “Can You Feel This Love?” o ar colorido e doce é elevado a enésima potência e não há mais como o disco voltar para seu ar sombrio aqui, a faixa é o lado mais doce da Namie e soaria muito mais correto estar no final do disco como ela fazia na maioria dos seus álbuns anteriores, oh well.

Big Boys Cry” é um dos singles mais frágeis da Namie dessa década, mas ele é bem divertido e consegue grudar em sua cabeça. Dentro do FEEL a canção fica mais agradável já que ela está bem posicionada após de outra faixa que tem uma atmosfera tão alegre e radiante quanto ela. Nesse momento é visto que o conceito do álbum é perdido, mesmo que FEEL seja um título aberto sua arte tinha um objetivo, passar uma sensação mais forte ou sombria, seja por suas composições ou produções e isso não acaba acontecendo após a faixa inicial.

Para muitos “Hands On Me” é a melhor faixa da Namie Amuro em anos (não chega nem aos pés de Alive, sério), porém estão certos em jogar o confete sobre ela, “Hands On Me” é um encontro entre o afrobeat e o eletrônico, e provavelmente está entre as faixas mais inovadoras que a Namie já apresentou ao longo da sua carreira, ela tem provavelmente um dos melhores arranjos durante um break na discografia da Amuro, e realmente a sua produção soube aproveitar todos os momentos da música para conseguir eleva-la a um nível muito bom.

Se tem uma faixa que se iguala à “Alive” seria “Heaven“, todo o desenho de notas e toda sua produção soa tão revolucionária e futurista que faz com que você se lembre do Past>Future, e quando a Namie sobe o tom na segunda ponte para explodir no refrão cria um clima mais efervescente que é impossível não se animar. Uma pena sua sucessora ser “Poison” que consegue ser possivelmente a faixa mais fraca que a Namie já apresentou ao público, seus riffs são torturantes, o refrão parece se arrastar e não ter força alguma, o único ponto que segura um pouco a música é o middle-8 que consegue te animar de uma maneira bem discreta. O que deixa a situação de “Poison” mais gritante é quando surge “La La La“, porque se fosse uma faixa básica, ela desceria um pouco melhor, mas “La La La” (felizmente) é uma das melhores do FEEL. Aqui temos Amuro mostrando um reggaeton muito bom, e ficaria muito mais interessante estar próxima de “Hands On Me“, o destaque da música fica por conta do refrão que é altamente pegajoso, pois é impossível não cantar junto. Namie trás outra produção fora da casinha com “Supernatural Love” que consegue ser sensual, agressiva, forte e tem uma das melhores performances vocais da cantora. A canção tem o defeito de ter um vocal bastante editado em seu refrão, então se você não é acostumado com faixas no seguimento eletrônico pode criar resistência a ela, mas ela realmente tem a produção mais criativa de todo o FEEL.

Namie não combina com baladas como “Let Me Let You Go” pelo fato de que não há emoção quando ela canta canções assim, poucas foram as vezes que essa fórmula deu certo, pois a cantora não consegue dar voz a sua interpretação o que é algo crucial para uma balada. É a faixa mais fraca do disco junto com “Poison“. Outro ponto negativo é uma balada voz e piano seguir de uma canção tão marcante quanto “Supernatural Love“, o que só deixa mais em evidente o quão derivativa a balada é.

Contrail” foi o grande hit da era e a faixa é uma mid-tempo – algo que normalmente funciona MUITO bem com a Namie – que tem um ar mais doce e alegre, porém ela é uma das faixas mais inofensivas do discos, ela consegue passar uma sensação de leveza, mas não é uma música que trás algum elemento novo ou surpreendente. O álbum encerra com uma de suas melhores faixas dele, “Stardust In My Eyes” que é outra mid-tempo da Namie e que funciona muito melhor do que as outras faixas que mostram um lado mais “calmo” do disco, ela tem nuances encantadores e sua introdução com violinos criam um ar angelical.

FEEL apresenta provavelmente o álbum mais inovador e mais ousado desde PAST>FUTURE e foi uma grande recuperação após o penoso Uncontrolled. Porém não há como ignorar tantos deslizes gritantes em sua produção seja por sua proposta fugir na segunda faixa e não conseguir entregar nenhuma faixa sombria além de “Poison” e “Supernatural Love“, sendo que ambas estão tão espaçadas entre canções coloridas e vibrantes que não há mais como ter a sensação que o FEEL é um disco onde a cantora vai lhe mostrar seu lado mais sombrio. Atrelando o fator do conceito se esvair, você encontra também uma tracklist um pouco bagunçada, o que faz com que um disco se manche por simples preguiça de seus produtores em fazer com que as faixas conversem de maneira mais saudável. O saldo positivo do disco são as músicas separadas que mostram o quão versátil a Namie foi dentro do estilo eletrônico e poucas vezes ela soou genérica ou abaixo do esperado, logo FEEL trás aí um grande valor a sua discografia por apresentar esse fator.

feelnamieamuro21. Alive 100/100
2. Rainbow 73/100
3. Can You Feel This Love 65/100
4. Big Boys Cry 60/100
5. Hands On Me 85/100
6. Heaven 100/100
7. Poison 30/100
8. La La La 100/100
9. Supernatural Love 100/100
10. Let Me Let You Go 40/100
11. Contrail 62/100
12. Stardust In My Eyes 95/100
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13 comentários em “ALBUM REVIEW: Namie Amuro – FEEL

  1. Primeiramente bom dia!
    Como é bom começar o dia lendo uma boa resenha não é mexmo?
    Mas então, antes de mais nada quero comentar que acho a Namie muito gata de linda, fora que o rosto dela não envelhece, apenas eu percebi isso? KAKAKAKA
    Enfim, estou amando esse especial de 25 anos de carreira da Namie, ela merece boas resenhas assim.
    Achei a tua analise ótima!!!!!!! Faz mais!
    http://somaisumaleatorio.wordpress.com/

    Curtido por 1 pessoa

  2. Sério, não sei o que o pessoal vê de tão foda em Hands on Me. OK que ela foi bem inovadora na discografia da Namie, mas dizer que foi a melhor música dela em anos?
    Acho forçado, mas ok.

    PS.: Namie’s Style melhor álbum opening dá Namie. Abraços.

    Curtido por 1 pessoa

      1. Parabéns, seus textos são muito bons.

        eu queria saber de que água vocês blogueiros vivem, escrevem bastante e com frequência, invejo esse tempo livre e determinação de vocês.

        Curtido por 1 pessoa

  3. Acabei conhecendo seu blog pelos coleguinhas blogueiros e decidi vir dar uma fuçada, hihi. Feel é um álbum muito bom ❤ e finalmente alguém que não curte Big Boys Cry, acho que de interessante só a flautinha no começo mesmo e olhe lá. Curti a forma como você avalia o álbum no fim, sendo faixa por faixa.

    No mais, curti seu blog, sucesso com ele ❤

    Curtido por 1 pessoa

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