E por essa acho que ninguém esperava! Não! Esse não é um especial “Escolha um álbum velho para review“, e sim um especial para exaltar uma das maiores artistas do seguimento pop do Japão, que em 2017 comemora seus 25 anos de carreira. Namie é provavelmente uma das artistas mais versáteis em todo o Japão, não estou chamando ela de ousada ou revolucionária, pois quem acompanha a diva pop sabe que sua discografia sempre buscou estar mais antenada para o que o público nipônico ou americano (desde 1998 ela bebe muito da música americana), para poder atualizar o seu som e isso fez com que a Namie mesmo em seus altos e baixos nunca soasse gasta ou datada. Sempre atenta ao mercado, a cantora sempre soube como explorar bem o que estava sendo proposto e mesclar isso a sua imagem de grande performer.

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O _genic (download aqui) foi entregue em 2015, e totalmente diferente do que se é acostumado no Japão, foi um álbum lançado sem nenhum aproveitamento dos seus singles, trazendo treze faixas inéditas e uma faixa bônus. O álbum sucede a aventura eletrônica que foi o FEEL lançado dois anos antes do _genic, fica então a questão: No que o _genic fez Namie Amuro sair da sua zona de conforto? E qual próximo passo ela pretende dar em sua carreira após o _genic? Vamos conferir tudo aqui e comentar.

A faixa que “leva o título” do álbum é “Photogenic” que abre o disco de maneira morna, não é ruim, está longe disso, mas Namie já teve aberturas bem mais impactantes para um disco, então por conhecer o que a produção dela já ofereceu como primeira impressão “Photogenic” é uma faixa que tem elementos que dão sua beleza, mas não é uma faixa para desempenhar um papel crucial. O disco segue para “Time Has Come” soando como uma aventura tecnológica ou futurista em alguns momentos, principalmente em seu refrão. Os versos que soltos junto com o middle-8 criam uma atmosfera pós apocalíptica, como se abaixasse a poeira do refrão. E falando em refrão, ele parece derrapar em alguns momentos, talvez cobrir a voz com tantos efeitos tiraram um pouco da beleza da faixa, mas os “say what? say what?” compensam. Outro ponto que não favorece a segunda faixa é ela estar mal posicionada ela soa mais eletrônica no meio de duas faixas mais pop.

Namie prova mais uma vez que é capaz de reinventar com “Golden Touch“, ao analisar a discografia da cantora é capaz que você encontre algo semelhante a essa faixa, mas não tão refinada em sua produção quanto. A faixa flerta com vários elementos como funk, disco e R&B, além do próprio pop, soa como uma canção que você veria Ariana Grande lançando até mesmo como single, sendo que a única diferença é que provavelmente Ariana colocaria um rap aleatório aqui. Então ponto para a Namie por entregar uma faixa enxuta, coesa e com uma produção impecável.

 “Birthday” é querida por alguns fãs e meio “méh” para outros, acredito que o problema é que ela realmente se assemelha a aventuras mais kawaii chiclete pop, como ocorreu em “Big Boys Cry” ou “SWEET KISSES”, por incrível que pareça a produção do _genic me soou bem mais feliz do que as demais citadas. “Birthday” é agradável e leve, ela sabe animar o suficiente e manter o disco em um rumo pop, então dentro de uma sequência de músicas ela realmente funciona e não deixa a desejar, só não é inovadora. Namie cria um clima mais sensual com “It“, seja por seu piano mais grave tocando de fundo dando um ar mais classudo a música ou por seus assobios que funcionam para fixar mais a música em sua música além do “yeah yeah yeah” em seu refrão. O middle-8 ficou interessante pois ele é reaproveitando também no final da música, criando um desfecho distinto, ponto para a produção. A faixa “Scream” não trás muita novidade para quem curte a cantora, ela é uma canção que agrada bem o público eletrônico, talvez seu único diferencial é o fato da Namie soltar bastante agudo de forma mais intensa do que o normal.

Fashionista” é uma boa lembrança, fazia um bom tempo que ela não lançava um Pop/R&B como esse. O que importa de fato é que “Fashionista” trás uma das faixas de maior destaque do _genic, a performance vocal de Namie é on point e ela realmente acerta notas bem altas, além de apresentar um rap que funciona perfeitamente com a canção, ele encaixa em sua produção potencializando seu impacto, então tudo aqui está redondo. A letra por sua vez é uma das mais fracas do disco. Namie apresenta mais uma faixa agradável com”Fly“, ela cumpre bem o seu papel em preencher o álbum em uma ouvida  proveitosa, dando um refrão pegajoso.

De todos os featurings que a Namie Amuro já fez em sua carreira apenas dois REALMENTE soaram inovadores e fora da curva, e nem estou falando do icônico “I’m Not Yours“, pois um colaboração com a Jolin Tsai seria óbvia se rolasse um interesse de ambos os lados, já que a proposta artística das duas cantoras são semelhantes. Sua maior ousadia de 2010 para cá foi sem dúvidas lançar uma faixa como “B Who I Want 2 B” com a Hatsune Miku, pois a Namie poderia cantar com QUALQUER banda ou artista solo que ela quisesse nesse momento, ela é provavelmente um dos nomes mais limpos e estáveis do j-pop nos últimos dez anos, então ela simplesmente abrir mão de chamar qualquer artista grande em seu país para por uma vocaloid, é de fato um risco e coragem que poucas podem fazer. A música é divertida, tem uma produção pegajosa e é uma das faixas que o seu valor está muito mais atrelado à participação do que pela música em si.

Sabe quem deveria abrir o _genic? Sim, “Stranger“. Não dá para compreender uma faixa poderosa receber um letreiro com o nome do disco em seu vídeo e ela estar quase no final do álbum. A canção soaria uma abertura bem mais saudável e impactante para o _genic. O fato é que “Stranger” é a faixa eletrônica onde a Namie surpreende e faz com que seja seu grande acerto da era para os seus fãs internacionais. A produção de “Stranger” está em não apostar no óbvio, suas nuances musicais surpreendem, pois quando você pensa que o refrão já chegava em seu ponto máximo ele explode um pouco mais e o middle-8 é vibrante, as palmas mescladas com sintetizadores ficaram bem divertidas. Já “Every Woman” temos uma das faixas mais frágeis do disco, ela não tem um refrão muito cativante, mesmo sua composição uma das composições mais atrativas assim como “Space Invader“, que por sua vez tem muitos elementos em uma única faixa deixando que sua ouvida seja sempre caótica, e que diferente de “Every Woman” que apresenta algo como refrão “Space Invader” parece levar a música inteira sem um refrão que mostra ao que veio, uma pena, pois sua composição é inovadora para os padrões da Namie.

Anything” é um estilo de balada pouco usado pela Namie, na verdade acredito que essa seja a primeira faixa onde a cantora apresenta um teor mais acústico (voz e violão), e a faixa é boa. Se fosse para eleger a melhor composição do _genic, “Anything” ganha facilmente de qualquer uma citada, sua mensagem é positiva, forte e encantadora. A música encerra o disco de uma maneira leve e delicada, mas ao mesmo tempo feliz.

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_genic é um amaranhado do que a Namie Amuro apresentou ao longo de sua carreira de 2000 até os dias atuais, você percebe em cada faixa algo que irá remeter há alguma era experimentada pela cantora, então ele tem um trabalho árduo em conseguir manter uma coesão de faixas, e que apesar dos deslizes, faz isso bem. É um disco onde há amor e ódio entre os fãs, talvez por suceder ao FEEL, parte dessa galera esperava que ela deixasse o eletrônico, mas enquanto esse seguimento se manter em alta, acredito que pouco veremos a Namie ousando em lançamentos como foi o caso de “Mint“. _genic é consistente e mantém a Namie antenada para o mercado internacional, abrindo um pouco a mão do EDM e mergulhando em um disco mais pop se permitindo ir para outras influências musicais.

genicreview1. Photogenic 70/100
2. Time Has Come 70/100
3. Golden Touch 100/100
4. Birthday 70/100
5. It 76/100
6. Scream 67/100
7. Fashionista 88/100
8. Fly 70/100
9. B Who I Want 2 B (feat. Hatsune Miku) 80/100
10. Stranger 90/100
11. Every Woman 60/100
12. Space Invader 50/100
13. Anything 72/100

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4 comentários em “ALBUM REVIEW: Namie Amuro – _genic

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