PASSEPIED está entre nós com seu quarto álbum de estúdio &DNA (download), comemorando seus cinco anos de carreira eles entregam um material de inéditas, já soando diferente da maioria dos atos japoneses que correm para lançar uma coletânea. O disco teve um total de três singles físicos, tendo quatro faixas já conhecidas pelo seu público e apresenta oito faixas inéditas. Está na hora de conferir de o que uma das bandas underground do Japão ofereceu para nós e o que levaremos desse lançamento:


O álbum começa com “Nagasugita Haru” que tem uma produção que vai misturar sintetizadores psicodélicos com o taiko e a própria forma como a guitarra é tocada para passar aquele clima tradicional japonês. A banda consegue fazer todo o arranjo ficar soar interessante e realmente diferenciado, e criar bons momentos para a canção. &DNA não começa agressivo e sim algo mais experimental, uma mistura de elementos que é exatamente o que se espera da banda pela capa do disco, então eles iniciam muito bem o álbum. A segunda faixa é “Yamanai Koe” que parece ser menos ousada do que a abertura do disco, ela aposta um pouco mais na zona comum do j-rock que flerta com o pop, ela é uma faixa atraente e que sabe guiar o ouvinte para um refrão sedutor, além de tem um ar mais vibrante que a anterior. Em “DISTANCE” a banda volta a flertar com sintetizadores e elementos que darão um clima mais ensolarado para a banda, e realmente vai remeter um certo frescor semelhante a primeira faixa. O solo de teclado/piano com uma guitarra eletrônica deu um clima bem diferente, foi o ponto alto da canção.

A música que deveria abrir o álbum é “Hyper Realist“, a canção já faz com que os sintetizadores soem algo meio Japão feudal, o arranjo da banda é mais impactante do que as demais faixas e apresenta muito bem o conceito da banda de ser uma explosão de elementos e experimentos, além de ser a melhor faixa do álbum até aqui. Sua sucessora “Aa, Mujou” trás um ar mais acústico e old school, os sintetizadores aqui são mais discretos que nas demais faixas, lembra um pouco mid-tempos que bandas de rock faziam nos anos 2000.

Mayday” combinaria perfeitamente vir após “Hyper Realist” já que ambas são mais ácidas e conseguem soar bem diferentes. Porém ela tem um ar mais agridoce, pois parece algo fofo e ao mesmo tempo forte, o refrão é interessante e a quebra de ritmo que se tem dá cria nuances bem atrativas. “My Fiction” trás já é uma transição para algo mais suave mesmo os sintetizadores do refrão soando um tanto hipnotizantes, os vocais e interpretação criam esse clima mais açucarado. E em “Supercar” essa meiguice é explorada um pouco mais, os versos são bonitinhos, tem um arranjo mais delicado. Destaque para os vocais na ponte onde a vocalista usa falsetes de maneira limpa. Com uma introdução mágica e vocais sussurrados começa “Yoru no Kodomo“, a primeira balada do &DNA, tem um ar bem de canção de ninar já que a tradução da música é “Noite das Crianças“, os sintetizadores aqui são até bem agradáveis, mas a faixa não parece ter um refrão que marque e mesmo sendo uma música até curta para uma balada típica do Japão ela não consegue deixar sua marca no disco, sendo a mais fraca apresentada até aqui. Vamos para o clima tropical de “Oishii Kankei“, que era exatamente o que estava esperando da banda, algo diferente. Parece que eles pegam ritmos caribenhos e vão mesclar ao pop rock criando uma faixa realmente diferente e com um refrão agradável, o solo de instrumentos é realmente o ponto alto da música e te envolve. Para melhor ou para pior, todo mundo tem apostado no systhwave que é aquele eletrônico mesclado a elemento do anos setenta ou oitenta, e é com esse clima que “Last Dance” começa, mas depois a faixa de desenvolve mais pra um pop rock adocicado e depois os sintetizadores voltam pro clima mais old school. “Last Dance” combina de fato estar localizada mais próximo ao fim, já que apesar da sua produção eletrônica ser ousada, se remover os sintetizadores vira uma faixa bem inofensiva, o que é uma pena, pois poderia ter sido bem mais marcante.

Mas quem encerra o álbum mesmo é “Yoake Mae” que não é a faixa mais ousada da banda dentro desse disco, mas eles entregam uma produção excelente e que realmente surpreende por não apostar em uma arrumação óbvia de versos, solos marcantes e sintetizadores alucinantes. O &DNA é fechado de uma maneira agradável, esperar que ele fosse terminar de forma óbvia (com “Last Dance” ou qualquer outra faixa citada por mim) não faria bem parte do conceito do disco que é exatamente essa chuva de elementos que em “Yoake Mae” acontece, e é o ponto final perfeito.

dna2.png

&DNA apresenta muito bem a proposta da banda, além dessa mistura de elementos que está presente em grande parte de suas faixas, que conseguem soar diferentes uma das outras, coisa rara ultimamente na j-music. PASSEPIED comete poucos deslizes na organização das faixas, ao ponto disso não prejudicar o andamento do álbum, pois eles conseguem retomar aos trilhos e soar constantes até o seu encerramento que sai da zona comum, como esperado de uma banda “diferentona“. Por apresentar um som mais ousado, um trabalho fiel a temática e firmar a imagem enquanto banda, &DNA é provavelmente um dos melhores álbuns da j-music e o melhor no segmento rock até aqui.

albumdna1. Nagasugita Haru 80/100
2. Yamanai Koe 72/100
3. DISTANCE 73/100
4. Hyper Realist 100/100
5. Aa, Mujou 78/100
6. Mayday 77/100
7. My Fiction 72/100
8. Supercar 68/100
9. Yoru no Kodomo 50/100
10. Oishii Kankei 83/100
11. Last Dance 68/100
12. Yoake Mae 100/100

 

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2 comentários em “ALBUM REVIEW: PASSEPIED – &DNA

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