Muitas coisas aconteceram na música japonesa em 2016, para as artistas femininas, o ano foi bastante agitado, onde novas solistas chegaram a luz do sol e conseguiram apresentar trabalhos de grande notoriedade, bandas inovadoras como BABYMETAL conquistando todo o mundo e se tornando a maior febre internacional nipônica desde Kyary Pamyu Pamyu. Analisando a j-music em geral, foi um ano onde muita coisa boa ocorreu, e vamos falar hoje dos 10 melhores álbuns. Busquei analisar produção, composição, coesão, e claro que uma pitada do meu gosto pessoal. Vamos seguir:

10. AYUMI HAMASAKI – MADE IN JAPAN

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Esse ano, Ayumi Hamasaki, decidiu fazer algo diferente e liberou seu disco, Made In Japan, na plataforma de streams da avex. O disco ele tem diversas falhas com relação a coesão tanto na organização das faixas quanto em se manter fiel ao conceito do disco, mas se há algo mais importante que coesão é a produção das faixas, e nisso Ayu-chan soube entregar o seu melhor disco desde NEXT LEVEL, com baladas enxutas (Mr.Darling) e tocantes (You Are The Only One e Breakdown) que funcionam muito bem, além de ter um teor comercial alto. Temos a melhor faixa pop/rock que Ayumi já lançou desde Mirrorcle World, oferecendo Suvirvor, e até mesmo a eletrônica agradável, Summer Love. Não menos importante vale lembrar Tasky e FLOWER que iniciam o álbum de maneira esplendida, já deixando o ouvinte interessado no que estar por vir. O álbum abre muito bem a lista dos dez melhores lançamentos femininos do ano.

9. JUJU – TIMELESS

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JUJU lançou no início do ano uma coletânea cover, de todas os covers que fizeram parte de seus singles físicos, dando origem ao TIMELESS. O álbum apresenta doze faixas em inglês com clássicos dos anos oitenta, noventa e dois mil, todas em uma leitura bem jazz e soul, algumas faixas remetem a versão original, não tendo grandes diferenças, talvez por essa razão eu não coloque essa pérola mais acima na lista, destaque para You’ve Got A Friend, Never Stop e Can’t Take My Eyes Of You, ficaram perfeitas no vocal da cantora. Quem curte um som mais calmo, romântico e leve é uma boa pedida, é um dos melhores lançamentos nesse seguimento.

8. BABYMETAL – METAL RESISTANCE

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Bom, inovando e amadurecendo o som, BABYMETAL vem com o seu segundo disco de estúdio, METAL RESISTANCE. Parece que o tempo fez bem aos vocais das meninas que sabem usar bem o lado grave de seus vocais, extremamente essencial para o seguimento que elas buscam seguir, me arrisco dizer que as que fazem a segunda voz ficam com a parte kawaii mesmo, o que faz com que os vocais da principal não sejam prejudicados. A produção pareceu mais refinada, onde houve vários elementos do metal dentro do disco se misturando com o próprio kawaii/idol style, conseguindo funcionar melhor do que antes, destaque para a faixa Amore, que é sem dúvidas a melhor do disco.

7. KANA NISHINO – JUST LOVE

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Bom, surpreendendo a todos, Kana Nishino vem na sétima posição com o seu sexto álbum de estúdio, Just LOVE, após quase dois anos sem material inédito. O disco foi inovador, Kana mergulhou no universo folk e country, mesclando isso ao kawaii do j-pop, trazendo o resultado mais agradável possível. Suas faixas soam como um musical onde as pessoas dançam pelas ruas e cantam batendo palmas ao som de um violão ou ukulele, um clima mágico e alegre. Mostra também a capacidade da cantora em produzir baladas novamente, algo que ela ficou afastada há quase dois anos, afinal ficou entre mid-tempos e uptempos em seus últimos singles. E se tem uma fórmula que funciona no j-pop, é somar Kana Nishino com baladas doces.

6. BENI – SHIKI UTA SUMMER

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BENI resolveu fazer diferente nesse verão do Japão e lançou um álbum conceitual, que é basicamente a releitura de algumas faixas anteriores com uma orquestra, além de trazer canções inéditas que elevaram sua discografia como Summer Love e Summer Night Forever, faixas que com certeza figuram minha lista de melhores canções do j-pop. O disco trás um amadurecimento vocal, e também instrumentais mais vibrantes tanto paras as faixas da própria cantora, como os covers que ela faz habitualmente. Arrisco dizer que é o melhor disco da BENI de toda sua carreira.

5. PERFUME – COSMIC EXPLORER

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E começa a corrida para o Top5, e quem abre ele com louvor é a banda eletrônica Perfume com o seu disco, Cosmic Explorer. O álbum é uma coletânea de sete singles lançado pela banda ao longo de três anos e que de certo modo, Nakata conseguiu manter a coesão sonora do disco o máximo que pode, porém, fica difícil você fazer milagre quando se tem sete canções bem distintas para se encontrar com as inéditas e isso que deixa o álbum um tanto perdido. Cosmic Explorer trás faixas inéditas que soam tão boas quanto seus singles e nesse aspecto, ele atende as expectativas e oferece aos fãs das meninas um disco agradável. Destaque para Flash (principalmente a versão single) e Next Stage With You, sendo as melhores faixas das inéditas.

4. JUJU – SNACK JUJU ~YORU NO REQUEST~

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E vamos para ela, a rainha do jazz do Japão, JUJU. Não é surpresa ela aparecer duas vezes em algo que busque o melhor da música, essa mulher sabe produzir canções atemporais e com um refino que poucas pessoas tem em sua discografia. Snack JUJU (Yoru no Uta) trás o melhor da música japonesa dos anos oitenta, ou seja, provavelmente a época dourada do mercado fonográfico nipônico. E como se não bastasse ela oferecer jazz, soul, R&B, Bossa Nova, ela ainda chama uma lenda da música japonesa, Suzuki Kiyomi, para cantar o cover que ela fez de Lonely Chaplin. Palavras faltam para definir o quão esse projeto soa inovador, realmente JUJU se supera a cada Request e nos dá o seu melhor. Destaque para as faixas: Machibuse, Futaride Osakewo e Love Is Over.

3. Aimer – Daydream

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Muito me questionei se Aimer ou JUJU mereciam a terceira posição, porém cheguei a conclusão que Aimer merecia mais não só por apresentar um disco de estúdio de inéditas, mas porque ela surpreendeu, esperar bons trabalhos da JUJU é óbvio, mas Aimer se superou, o que jogou ela automaticamente para a terceira posição. Daydream tem a produção e composição de ícones do j-rock o que explica esse pente fino em seu trabalho, o disco já começa mostrando ao que veio com Insane Dream. O disco não tem uma faixa que não seja no mínimo agradável, quando não é surpreendente e eletrizante, parabéns para Aimer, Daydream colocou em um patamar onde poucas artistas conseguiram alcançar.

2. AIKO – MAY DREAM

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Na segunda posição temos provavelmente a artista mais querida da história do Japão, vinte anos no sucesso sem nenhuma mancha em sua carreira, essa é aiko. Seu trabalho flerta com bastantes elementos do universo pop contemporânea, jazz e pop rock, resultando em algo único, uma marca registrada e quando ela decidiu levar esse universo que carrega seu nome para algo mais ensolarado surgiu, May Dream. Sua voz é peculiar, porém não deixa de aproveitar os graves, de saber até que ponto o agudo soa agradável em uma música e é isso que faz com que seu disco seja totalmente bem aproveitado, até suas canções mais simples te prendem pelo arranjo elaborado. Motto é provavelmente a melhor balada do j-pop, devido ao seu teor comercial, onde em uma única ouvida ela cai muito bem e você já consegue acompanhar o que ela passa. Outros destaques: Atashi no MukouShingouSuki Kirai.

1. UTADA HIKARU – FANTÔME

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Não foi uma decisão fácil eleger Fantôme como o melhor disco da j-music por uma artista feminina, acreditem ou não Daydream (Aimer) e May Dream (aiko) não ficaram atrás do Fantôme em muitos aspectos, o que me levou a por Utada como o melhor disco foi seu impacto e algumas letras que sem dúvidas fazem parte de toda uma ousadia que nunca se viu na música japonesa. O álbum é altamente pessoal, não só por falar sobre o suicídio de sua mãe, como também sobre sua relação com o marido e a maternidade, o que dosa bem um assunto tão pesado como a morte. O disco não tem grandes erros, talvez ele pudesse ser divido em dois discos mostrando um lado mais light e o outro dark, ou uma sequência de faixas mais coesa, não nos fazendo sentir um luto em uma faixa e apaixonados na outra. Todavia isso não tira nem um por cento da beleza do Fantôme, com um clima intimista como se a Utada quisesse através de sua voz mostrar tudo o que aquela letra quer passar, para depois o arranjo fluir e intensificar o que sua interpretação quer nos dizer, é fenomenal. O disco tem tantos destaques que colocarei os que de fato me marcaram: MichiNijikan Dake no Vacance (com a Shiina Ringo) e Manatsu no Tooriame.

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Um comentário em “JAPONESQUE JUKEBOX: Melhores Álbuns de 2016

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